Elas valem ouro

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Alexandre Lalas

Alexandre Lalas

Uma análise da Brand Finance revelou que as marcas de bebidas alcoólicas mais valiosas do mundo podem perder até US$ 33 bilhões em valor por conta da pandemia de Covid-19. O estudo mostra que os diversos setores deverão ser impactados de diferentes formas, com as marcas de cerveja sofrendo o maior impacto com perdas potenciais de 20% em valor. Curiosamente, a marca de cerveja que saiu do estudo coroada como a mais valiosa do planeta é a Corona, em que pese a coincidência entre os nomes da marca e do vírus que paralisou o mundo. No setor de destilados, as marcas chinesas mantêm o domínio em termos de valor. E no do vinho, a Moët et Chandon assumiu a liderança, com a chinesa Changyu em segundo lugar.

 

A Brand Finance avaliou o impacto do Covid-19 com base no efeito do surto no valor da empresa, em comparação com o que valia em 1 de janeiro de 2020. O impacto provável no valor da marca foi estimado para cada setor. Os setores foram classificados em três categorias - impacto limitado (perda mínima do valor da marca ou crescimento potencial do valor da marca), impacto moderado (até 10% de perda do valor da marca) e forte impacto (até 20% perda do valor da marca) - com base em o nível de perda de valor da marca observada para cada setor no primeiro trimestre de 2020.

 

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CERVEJAS:

 

Pela primeira vez, o ranking da Brand Finance Beers 2020 foi ampliado para 50 marcas. A liderança ficou com a Corona, cujo valor da marca bateu US $ 8,1 bilhões. A líder mexicana é comercializada em 120 países e as vendas permanecem sólidas nos principais mercados, incluindo China e África do Sul. A marca tem se concentrado em expandir sua produção local em vários países, incluindo China, Colômbia, Brasil, Argentina, Reino Unido e Bélgica, o que não apenas permite que a Corona atenda melhor às comunidades locais, mas também reduz a emissão de carbono.

Este ano, nos Estados Unidos, a marca lançou as versões Premium e Família. Foram as primeiras grandes inovações da Corona em mais de 25 anos. Outra novidade foi a Corona Refresca, a estreia da marca no mercado de refrigerantes enriquecidos com álcool.

 

Ainda assim, a pandemia deixou marcas na Corona. Com a China sendo o maior mercado da Corona, fora do México, a combinação infeliz da coincidência no nome e o bloqueio nacional estrito em todo o país justamente durante o Ano Novo Chinês, comemorado no início do ano, causou um declínio nas vendas. Os fabricantes da Corona, no entanto, rebateram as alegações de que a pandemia prejudicou a marca, garantindo que os consumidores entendem que não há ligação entre os dois.

 

O estudo apontou que a marca de cerveja que mais cresceu no mundo é a dinamarquesa Tuborg, cuja valorização doi de 26%, passando a valer US$ 968 milhões. A marca faz parte do grupo Carlsberg e o crescimento reflete o forte desempenho da cerveja na Índia, cujo mercado responde por dois terços das vendas anuais da marca. Outro ponto que agregou valor a Tuborg foi a parceria estabelecida ano passado com o maior festival do Norte da Europa, o Roskilde Festival, que tem como foco a comunidade e a sustentabilidade.

 

Além de medir o valor geral, o Brand Finance também avalia a força relativa das marcas, com base em fatores como investimento em marketing, familiaridade com o cliente, satisfação da equipe e reputação corporativa. De acordo com esses critérios, a Budweiser (valor da marca caiu 14% para US $ 6,4 bilhões) é a marca de cerveja mais forte do mundo com uma pontuação de Índice de Força de Marca (BSI) de 85,2 em 100 e uma classificação de força de marca AAA.

No estudo de monitoramento de marca global da Brand Finance, a Budweiser teve um desempenho particularmente bom nas métricas de consideração e familiaridade, o que não é surpreendente, pois trata-se de uma marca global com forte presença e reconhecimento graças aos negócios de publicidade e patrocínio de alto perfil, incluindo a inglesa Premier League e a espanhola La Liga.

 

 

DESTILADOS:

 

As marcas de destilados chineses continuam a dominar o top 3 no ranking da Brand Finance Spirits. A Moutai (alta de 29% para US $ 39,3 bilhões) continua em primeiro lugar, com a Wuliangye (alta de 30% para US $ 20,9 bilhões) em segundo e Yanghe (queda de 15% para US $ 7,7 bilhões) em terceiro.

O mercado de destilados na China desabrocha à medida em que a renda familiar e os padrões de vida continuam a aumentar em todo o país. Os consumidores agora estão se voltando para marcas de baijiu premium de alta qualidade, assim como as de média a alta qualidade. Na classificação deste ano, os valores das marcas de destilados chineses aumentaram 14% em média, enquanto as marcas de destilados não chineses diminuíram 0,1% em média.

 

A Moutai continua a dominar como o maior player no mercado de baijiu chinês e tem se concentrado em expandir sua presença e presença globalmente, com vendas internacionais alcançando um recorde de US $ 369 milhões no ano passado.

 

A Wuliangye é a marca que mais cresce no top 10, com o valor aumentando impressionantes 30%. A marca, que assinou recentemente uma parceria estratégica com a Pernod Ricard para apoiar o objetivo de ambas as marcas de desenvolvimento acelerado nos mercados chinês e asiático. Além disso, a marca abriu centros de marketing na Ásia-Pacífico, Europa e América, para promover seu licor ‘Oriente encontra Ocidente’.

 

Outro brand a experimentar crescimento foi a gigante irlandesa Baileys. A marca deu um salto de 105% em valor e está cotada em US$ 1,3 bilhão. A estratégia de reposicionamento no mercado funcionou e as vendas experimentaram um crescimento exponencial nos últimos anos, alavancando a gigante das bebidas.

 

Já no ranking de força relativa das marcas, a Don Julio afirmou-se como a marca de destilados mais forte do mundo, com um BSI de 88,7 e classificação AAA. Disponível em mais de 40 países, Don Julio registrou um forte aumento nas vendas de 14,5% este ano, atingindo 1,7 milhão de caixas de nove litros e sendo posteriormente nomeada a Tequila Brand Champion de 2020. O valor total da marca subiu 79%, atingindo US$ 958 milhões.

 

VINHOS:

 

No setor de vinhos, a Brand Finance apontou a Moët et Chandon, cuja marca vale US$ 1,4 bilhão, como a mais valiosa do mundo. Foi a primeira vez que a empresa avaliou as marcas de vinhos.

Além de ostentar a liderança em valor geral, a Moët afirmou-se na ponta também do ranking da força relativa das marcas, com um BSI de 79 e uma classificação de AA+.

 

Nos calcanhares da marca de champanhe, a vinícola chinesa Changyu aparece em segundo lugar no ranking da Brand Finance, com um valor geral de US$ 1,3 bilhão.  Fundada em 1819 durante a Dinastia Qing, Changyu é a maior e mais antiga vinícola da China e uma das marcas mais prolíficas no mercado interno e externo. Com uma alta classificação em familiaridade e reputação e desfrutando de uma alta margem de lucro, Changyu passou os últimos anos expandindo seu alcance construindo vários castelos de estilo europeu em toda a China e aumentando suas exportações para a Europa e Austrália.