Fundada em 1870 no Quartiere Spagniol, o movimentado, barulhento e encantador bairro popular no centro de Napoles, a L’Antica Pizzeria Da Michele deu a volta ao mundo na última década e meia antes de aterrissar em São Paulo, na esquina da rua Cônego Eugênio Leite com a avenida Rebouças.
Explico. A pizzaria, que teve sua fama exponencialmente multiplicada depois de aparecer no best-seller Comer, Rezar, Amar, levado ao cinema tendo Julia Roberts como a intérprete da protagonista, manteve-se por mais de 140 anos apenas no endereço napolitano. Em meados de 2013, a família proprietária foi convidada a abrir uma primeira filial em Tóquio. Vieram na sequência a unidade de Fukuoka, também no Japão, e franquias abertas em outras cidades da Itália, entre outros países.
Em abril passado, foi aberta a primeira unidade da pizzaria Da Michele na América do Sul, numa sociedade com o empresário francês Frederic Renault, que trouxe ao Brasil outro ícone da gastronomia mundial, o Le Deux Magots, de Paris. Na Da Michele paulistana, além das pizzas tradicionais (marguerita, 110 reais), o cardápio apresenta receitas de diferentes regiões da Itália, entre as quais os arancini e massa ao molho carbonara.
Confira a seguir o bate-papo de GULA com Francesco de Luca, CEO da rede Da Michele e responsável pela expansão da marca pelo mundo.
GULA: O que o público vai encontrar na unidade paulistana que seja original da casa original, de Nápoles?
Francesco: Uma parte do menu que temos em Nápoles é reproduzida aqui, com as diferentes versões de pizza marguerita, como a marinara e a cossaca; nós também importamos ingredientes da Itália, como tomate pelado, queijo fiore de latte e mozzarela de búfala, além de azeite. E também trouxemos, para iniciar a operação e treinar a equipe daqui, o nosso chef executivo, Mimo (foto). Ele vai ficar aqui o tempo que for necessário para garantir que tudo corra bem, tanto é que nem passagem de volta à Itália nós compramos para ele.

GULA: Existem franquias de Da Michele em diversos lugares do mundo. São todas iguais ou há diferenças entre elas?
Francesco: Nós sempre adaptamos nosso cardápio a cada mercado. Em São Paulo, por exemplo, nós tentamos encontrar ingredientes locais também. E introduzimos uma sessão de massas, com receitas tradicionais italianas, como o carbonara. Mas nossa identidade nunca muda.
GULA: Quando Da Michele começou a abrir franquias mundo afora?
Francesco: Há treze anos abrimos a primeira, em Tóquio. Depois veio a de Fukuoka e em 2015 abrimos a primeira em Roma. Depois dessa unidade, tivemos pedidos para abrir em diversos lugares do mundo. A de São Paulo é a primeira da América do Sul.
GULA: E a unidade de São Paulo é muito diferente da de Nápoles, certo?
Francesco: Nossa meta não é ter um restaurante igual à Da Michele de Nápoles. Seria impossível. Nós queremos ter um restaurante que atenda diversos públicos: a quem queira ter um almoço de negócios ou mesmo um brunch e a quem queira comer uma pizza a qualquer hora – inclusive no almoço, e sabemos que aqui a tradição não é essa, mas temos esse desafio. Estaremos abertos do meio-dia à meia-noite.