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Porco umami

No novo menu d’A Casa do Porco, o chef Jefferson Rueda abre espaço para a fusão de sabores da roça, da Amazônia e até da Ásia

Fotografia: Leo Martins/ divulgação
Miguel Icassatti

Miguel Icassatti

Desde os primeiros dias de operação em 2015, quando foi inaugurado pelo então badalado casal de chefs Jefferson e Janaina Rueda, A Casa do Porco Bar mostrou-se num fenômeno da gastronomia paulistana e brasileira. Gente formando fila antes mesmo de o restaurante abrir – durante anos, não se aceitava reserva –, salão sempre cheio, movimentação frenética na cozinha aberta são cenas de todos os capítulos de uma história movimentada e segue bem-sucedida.

Passados onze anos, o casal se separou e deixou de dividir o dia-a-dia do restaurante. Jefferson passou um tempo afastado – período em que Janaina Torres brilhou à frente da equipe – e desde julho de 2024 reassumiu o comando, desta vez em uma trajetória solo, período no qual vem reinventando o cardápio, incorporando novos ingredientes e apresentando pratos inéditos, sem deixar de lado receitas que se tornaram patrimônio materialíssimo, como o sushi de papada e o porco san zé.

Disponível desde dezembro de 2025, o novo menu-degustação, intitulado “Tempo dos Sabores”, tem a força da cozinha caipira como fio condutor, este amparado por sabores e gostos vindos de temperos, preparos e ingredientes oriundos de diversos locais, como a Amazônia (caldo do tacacá), a África (o caruru) e a Ásia (algas).

São oito tempos, em que a carne de porco aparece inicialmente na forma de petiscos frios: tartare de lombo de porco maturado com ovas de peixe, pimenta-de-cheiro e leite de coco, com final amargo; o gostoso temaki “porcotuna”, em que o chef desfaz o tabu de que não se pode comer carne de porco crua, aliada a shissô (erva), shari (arroz), nori (alga) e enoki (cogumelo); e a deliciosa ostra servida com guanciale, goiaba e pimenta-biqquinho, das melhores que já comi, com o contraste entre o frescor da fruta e o calor do caldo da pimenta.

A seguir vêm os petiscos e as entradas quentes – espeto de língua costela de porco, bao com pancetta, tucupi negro e repolho roxo agridoce (ácido, provoca leve torpor na boca) – com destaque para o porco à passarinho, em que o codeguim é servido no formato de uma asinha de frango, e definitivamente para o pudim de milho doce com presunto cru, costela, caruru e cogumelos, com uma pegada “comfort food”.

O porco san zé, sempre um colosso, é o prato principal, com a pele pururucada e os ótimos e fartos acompanhamentos: linguiça artesanal, salada de banana, feijão tropeiro, arroz, farofa e hortaliças orgânicas do Sítio Rueda.

Antes da sobremesa, um sorbet de ortiga com marshmallow de wasabi e ervas frescas limpa o paladar para a sobremesa – o chocolate “quente”, servido com pão na chapa, uísque e crocante de leite – e a seleção de docinhos que acompanha o café (bananada, bala de leite da Vó Carminha, a mãe do chef, biscoito de canela e sorvete de milho).

Há que se destacar a boa seleção de vinhos disponível para o menu harmonizado, que começa com champanhe Lanson e passeia por rótulos brasileiros e portugueses de perfil mais moderno, sem muita extração, frescos; e também o serviço ágil.

O menu-degustação custa R$ 348 por pessoa (R$ 617 com os vinhos), mais taxa de serviço.

Vai lá:
A Casa do Porco por Jefferson Rueda
Rua Araújo, 124, República, São Paulo, tel.: (11) 3258-2578
Informações e reservas pelo site.